quarta-feira, 17 de junho de 2009

luar de lua nova

Look out the stars, look how they shine for you

Como era belo o luar em noites de nevoeiro. Se o víssemos acharíamos que sim. Como não o vemos, pode ele saltar, pular, correr, rir-se de nós que nada disso será notado. Coração que não vê, olhos que não sentem.

Pode até ser verdade, mas naquele instante, sentiram olhos e coração, ficaram cegos olhos e coração. Oh, o coração já não aguentava de tanto ver, e os olhos ardiam de tanto sofrer. Acalmam-se os órgãos por via da falta de respiração dela. Ela, a causa do seu tormento, encontrava a paz que por certo não desejava. Mas o filho sem o pai não existe, e o que os une é o espírito santo. E sangue nela não existira sem o suor e a carne, não seria agora. Porque ele não queria viva, calada e sossegada já era um caso a considerar.

Primeira vez. Quantas não há numa vida. Quantas não haverá a tirar uma vida. Já que se estria, que a estreia não esteja sozinha em momento tão glorioso, junte-se mais umas poucas à caldeirada.

Os passos são calmos e lentos. O sangue perpetua-se na sede. O luar esconde-se por detrás do telhado da sua casa. Sua e dos seus filhos. Crianças inocentes e tentadoras. Oh quando se esvai a ténue linha que nos separa do lado de lá da neblina!

domingo, 14 de junho de 2009

Abraçados

2 anos passaram, e parece que foi ontem, abraçado a ti estava eu, sem saber bem porque, mas estava, estava a gostar. Num dia aberto, numa sala de moral, num dia de sol, num campo de jogos, estávamos os dois abraçados, e 2 anos passaram e ainda estamos abraçados, e abraçamo-nos com cada vez mais força, hum mm muito abraçados! É tão bom estar abraçado a ti. 2 anos que passaram, que ficarão para sempre na história, uma história só nossa, que mais ninguém tem de saber, porque abraçados, mais ninguém nos importa, porque dos dois que éramos formámos um nós muito forte capaz de passar por cima de muito. Sem estar abraçado a ti, provavelmente, não era o mesmo que sou hoje, talvez tivesse dado a mão a muita gente, mas não era como um abraço, um abraço está no topo dos afectos, só abaixo de um beijo quente e molhado, mas como era impossivel viver sem respirar, abraçamo-nos, e assim continuaremos…

Diagonal

Apesar de estar ausente deste blog praticamente desde sempre, lembrei-me agora, de entre o estudo de Português e Economia similaridades entre Pessoa na mensagem e os conceitos económicos. Não é concerteza um texto do Master Farmer, mas é do gajo que anda com um ansinho na mão..
Já dizia na sua altura, lá para 1900’s e tal, o sor pessoa, numa inquietação pela inovação, dizia o moço que seria vital para a nação a criação do chamado Quinto Império, império esse regido pela cultural, fazer com que os portugueses libertem de si os exploradores que outrora fomos, a curiosidade que nos levou a vasculhar o oceano, a ousadia e coragem necessária ao empreendedorismo que necessitamos hoje.
Não!! recusamos ouvi-lo, recusamos ouvi-lo e queixamo-nos, queixamo-nos da crise, dos patrões que são maus patrões, não que não o sejam, mas recusamos ouvir Pessoa, ou se ouvimos, passou por entre as noticias de uma contratação milionária de um qualquer jogador de futebol.
Recusamo-nos a ir buscar o D. Sebastião, que por terras de África ficou e se recusa a voltar para um país onde reina a letargia. Essa que nos prende a um trabalho que não é destinado aos sucessores do grande D.Sebastião que se estivesse no activo seria provavelmente o fundador de uma multinacional e não teria de ir combater os mouros.
Temos de fundar o Quinto Império, um Império intelectual, não pelas novas oportunidades, mas pela criatividade dos portugueses, não podemos ficar sentados e deixar que nos transformem numa linha de produção dos grandes países. Um Império Cultural não pode ser derrubado, pois este tem a força de se reerguer dos destroços mais forte. Era o sonho de Pessoa, era o sonho de D.Sebastião. Devia ser realizado por todos nós, ele contam connosco.

sábado, 13 de junho de 2009

romantismos

Meu Deus, livrai-me do mal que em mim se acomoda. Livrai-me da tentação experimentada que me pisca o olho cheio de pintura e purpurina. Oh meu Deus, como posso pedir com tanta devoção que e tire algo que eu desejo tanto? Como posso eu querer algo que acho errado, achasse eu errado e não quereria.

Em divagações vagueava ela pela praça repleta de pombos famintos de comida e cheios de fome, morreu a senhora dos pombos. Nem me lembro bem quem era, mas os pombos não me incomodavam enquanto era viva. Nem a mim nem a ela. Como andava ela feliz, como ele sabia faze-la feliz. Os olhares que ela sabia que ele sorrateiramente lhe lançava. A forma como ele a negava mostrando a sua parte mais viril e aumentando-lhe a líbio até níveis inexperimentados. A questão fundamental, esse bicho, mantinha-se. Por falar em bicho lá se vai a lenha toda. Já durava uns tempos. Quase tanto quanto se espera para engolir a primeira bafada de ar.

Ele, pessoa de bem, homem com família. Filhos. Pensariam pedofilia, mas não, tem filhos, gosta de crianças como um pai gosta dos seus filhos. Falara com polícia, guarda nacional republicana, chegara a organizar uma petição ao governador civil. Nada. É que é sempre a mesma coisa. Não podem fazer nada. Pois se não podem, farei eu. Eu não, ele. Numa coisa tenho de lhe dar razão páh, ela até que é jeitosa, mas há feitios e feitios, e aquele não se pode.

Ai que pedaço de pecado.

Juro que um dia serás meu, sussurra ela, gritando, batendo, da parte de fora do carro dele. Só momentos românticos.

sábado, 6 de junho de 2009

a utopia do amor

Ai tão bonito!

Ela ficou encantada da primeira vez que com seus olhos viu a face dele. O corpo dele, as expressões dele. Tão simpático, tão amoroso. Gosta tanto das crianças. Mal ela sabe como ele gosta das crianças.

Ela nunca tinha gostado de nenhum indivíduo. Comungava por comungar. Suor, carne, sangue. Não houve vez sem a trindade. Nunca tal foi ponderado. Tal achego à sua mente faria, por certo, esquecer o que ela jurou não esquecer. O baixar das calças. A imobilização dos músculos pelo medo e surpresa, quiçá uma qualquer droga. O toque frio da fivela do sinto do primeiro no seu ventre. O toque frio da bancada da cozinha nos glúteos. Por fim, o toque frio, mas reconfortante, da faca que a mãe usava, naquela banca, para cortar a carne que iria alimentar este sujeito. Mas neste momento a fonte era a mesma, a carne e a fome diferentes.

O resto não vale a pena confessar. Já o foi a quem de direito e não nos cabe a nós julgar as circunstâncias ou vontades que movem as pessoas. Na maior parte são-nos inacessíveis e vagas, falsas. Porém, cabe-nos julgar os actos. Termos todos a noção que quem nos avalia não tem como factor preponderante os antecedentes que propiciaram a actividade avaliada?

Oh! Mas ela está disposta a mudar. Que bonito é quando o amor é unilateral, unido e embelezando a vida de uma pessoa e infernizando a vida de outra.

Pois a bicha tem companhia agora, que será delas quando a lenha acabar? Há mais lá fora!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

coisas destas

As chamas laranjas faziam estalar a lenha que ardia. A negra fogueira fornecia o calor necessário para uma coexistência agradável. Se bem que a coexistência seria agradável sem a fogueira. Como poderiam, eles, reparar, naquela fogueira. Quando tinham de olhar um para o outro. Com olhares diferentes no olhar, mas olhavam-se nos olhos.

Comungaram a carne e na vez do vinho o suor um do outro. Mas ela comungou também o sangue e ele o metal da faca que estava escondida no meio da lenha que já não irá arder. Na verdade, irá apodrecer antes que alguém se lembre de voltar a acender a fogueira.

O céu ergueu-se duas vezes antes que se soubesse, ou que interessasse para a história narrada, da personagem que abraçou a carne o suor e o sangue. Fosse a primeira vez que está trindade se juntava à comunhão da rapariga e o interesse seria o mesmo que a corrida de caracóis. Mas, ao contrário do que se poderia pensar de uma mulher tão bem perfilhada, esta deu tão para o torto, entortou tantas vezes, que construiria um polígono, ou sólido geométrico, de fazer ver a Aristóteles. Que motivos a fazem entortar? Ainda não sabemos. Aquilo que apenas nos diz respeito, por enquanto, é que o reinado desta vingadora de não se sabe bem o quê está prestes a acabar. Nascera, há uns largos anos, a personagem que para a história nasce agora, e para a torta rapariga nasceu quando saía de casa, embarcava no seu automóvel e passa um carro a correr contra o vento, fazendo-o ficar para as pessoas que atrás ficam. Ela não o viu. Ele também não. Nenhum dos dois sabe o que os espera. Sabemos, nós, uma parte. Saberá, alguém, o resto?

Pode parecer estranho. Contudo, porventura, todavia, algum de nós reparou em alguém, ou soube que já tinha visto alguém, antes de saber que este iria interferir na sua vida? Oh quão egoístas somos!

A lareira está, de momento, apagada. Uma bicha-cadela começa a apoderar-se da lenha acumulada em recipiente próprio.

sábado, 23 de maio de 2009

anti-rugas

E mais uma vez a cara dele rastejou o chão. Mais uma vez chorou lama. Mais uma vez.

Quantas vezes não tinha já ele tentado, desistido, resignado. Mas voltava para tentar. Porque tentar é tudo quanto se pode fazer. Tudo o que se pode esperar dos outros é que tentem. Lutem até perderem as forças. Lutem até que a causa seja perdida. E mesmo depois de uma causa perdida, é a causa que está perdida, não nós, e por isso voltamos a tentar. Voltamos e lutamos por aquilo que queremos. Mesmo que seja mau. Mesmo que não seja o que precisamos para a nossa agradável existência. Muitas ocasiões não queremos, nós, o que melhor nos faria.

Ainda que nos sentemos a ver a nossa doce televisão, ainda que leiamos o condescendente jornal, ainda que deixemos a nossa vida para trás em nome da comodidade, ela chamar-nos-á sempre. Em cada esquina, em cada encontro furtivo.

E o dia em que nos encontramos com a vida acaba por chegar. A razão da esperança perdida esfuma-se, e aquilo por que esperamos espera-nos. E a lama que tão bem faz à pele – tanta chique pessoa que a põe sem ter ponta do nosso usual desgosto – transforma-se num sorriso resplendoroso que fortalece e tonifica os músculos da cara sem a sujar. E ficamos todos tão bonitos a sorrir. E ficas tu, tão bonita a sorrir.