sábado, 11 de julho de 2009

escola da vida

José Saramago, prémio Nobel da Literatura em 1998, não frequentou a escola, mas sabe ler e escrever.

Logo, não é preciso ir à escola para saber ler e escrever.


Belmiro de Azevedo tem a quarta classe e é o homem mais rico de Portugal.

Logo, basta-nos a primária para que saibamos como ficar ricos.


Muitos dos trabalhadores da construção civil bebem minis como um ser humano normal nunca conseguirá, conseguindo abrir a garrafa da cerveja sem saca-rolhas. Contudo, muitos não têm mais do que o 6ºano, alguns têm o 9º.

Logo, não é obrigatório mais do que o 2º ou 3º ciclo para que nos possamos embebedar de caixão à cova.


Zézé Camarinha, admito que não sei a escolaridade exacta dele, mas suponho que n tem mais que o 12ºano.

Logo, não é necessário mais do que o secundário para conseguir arranjar gajas boas e estrangeiras.


Universidade, para quê?

com alma

A vida dá voltas. Dar voltas significa ir para a frente e para trás. A vida não brinca. Não dorme. Esquecemo-nos da vida, mas ela não se esquece de nós. Abandonamos a vida sem que ela nos queira deixar.

Pensamos nas consequências, nas causas, porém a vida, apesar de tudo, ensina-nos apenas a viver. Inesperamos o impossível quando é ele que mais queremos.

Deus escreve direito por linhas tortas – sim, sou um homem crente – e nós escrevemos torto em linhas direitas. Contudo, isto de direito e torto é uma questão de perspectiva, como Ele está lá em cima, vê melhor para escrever.

Acordo, de manhã ou à noite, com sono. Deito-me sem ele. Durmo com vontade de viver e passo a vida a dormir. Todavia, é assim que aprendo a saborear a vida mesmo que esta teime em não me entrar na boca!

Acredito em Deus, penso na Sua existência, logo, na minha cabeça, pelo menos na minha cabeça, Ele já existe. Acredito que eu um dia perecerei mas, as minhas acções, os textos que aqui ponho, este texto, assegurará a minha vida eterna em alguns que terão o azar de ir depois de mim.

Por fim, com vista a finalizar esta minha reflexão acerca de mim mesmo, resta-me agradecer. Agradecer a Deus, à vida e a ti que me lês. A Deus, por existir, mesmo que na minha cabeça, à vida, por me dar nozes, tendo eu dentes e a ti porque me lês.

Cumprimentos sinceros

Obrigado

a liberdade---grupo III do exame de português 2009...4,8.

A liberdade é um bem precioso, pelo qual muito lutámos e sofremos, mas que não sabemos respeitar.

Muitos dos nossos avós lutaram por uma coisa que não conheciam. Lutaram contra um regime, um homem, mas foi a liberdade a sua maior conquista. Era a promessa do progresso, da comida na boca, a extinção de entraves às palavras que saíam da boca que os movia. Conquistámos, então, a liberdade. A peso de ouro. Homens e mulheres que todos os dias lutavam – e ganhavam pequenas batalhas – foram presos e mortos. Foram as pequenas batalhas que nos fizeram ganhar a liberdade, mas, primeiramente, fizeram-nos querer ganhá-la.

Ganhamos. 25 de Abril é comemorado todos os anos com pompa e circunstância. Ganhámos o quê? A liberdade de alguns? A liberdade que alguns têm de restringir e anular a nossa? Veja-se os casos de corrupção em bancos onde pessoas tinham as poupanças de uma vida e agora, depois de reformados, terão de mendigar às portas da igreja.

Nem a liberdade de votar, de exprimir a nossa opinião sobre o rumo do país ganhámos! Pessoas há, que continuam sem ir votar. Não porque não queiram, mas não podem. Estão longe de casa. Não percebem o que eles – políticos – dizem ou fazem. Então não vale a pena o esforço (a gasolina está cara!). Põe-se uma cruz e fica tudo na mesma.”Isso é lá com eles, não me interessa”. E continuamos a permitir que seja sempre, e só, com eles.

A nossa liberdade acaba quando começa a do outro. Mas por inocência, permitimos que “espertalhões”interfiram nela. É nossa, temos de fazer uso e fruto dela para que o sacrifício daqueles que pereceram não seja em vão.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

sonhos

Houvera já dias piores que aquele, muitos. Demasiados. Mas aquele, este, é o dia, todos os outros haviam passado, este era o dia que doía. Sofrera, padecera por vezes, a lutar por este sonho. Todos queremos lutar por um sonho. Todos nós temos um sonho. Todos nós abdicamos desse sonho em certa altura da vida. Todos nos lamentamos por isso. Todavia ele lamenta-se, hoje, por não ter abdicado desse sonho. O sonho. A razão de todas as acções, passadas, futuras, pensadas, sofridas.

As crianças sonham em se tornar heróis. Dependendo da definição de herói de cada um, cada um escolhe uma profissão. Bombeiro, polícia, astronauta, cientista (o que quer que isso signifique), médico, cantor, actor (ou ator, segundo o novo acordo ortográfico), autor. Enfim, aspira-se a felicidade, vive-se a felicidade. A felicidade do nosso protagonista foi protagonizada pela sua aspiração a agente secreto de uma bela agência. Onde se fala em código e se salva o mundo todos os dias. Como vem nos romances.

Claro que há pessoas mais obstinadas que outras. Umas desistem ainda não saíram da escola. Outros vão desistindo pelo caminho. Às vezes, quando a vida se torna, ela própria, obstinada, não nos dá tempo para desistir. Mas este homem, cuja história está, aos poucos, a ser imaginada e contada, mas faz de conta que é verdade, correu literalmente atrás do destino. Por várias vezes aconselhado a parar. A desistir. Que o que o esperava não era o que ele estava à espera que o esperasse, porque não é o que normalmente se espera.

Não sei o que ele esperava, não mo revelou, apesar da minha insistência. Quem me conhece sabe que posso ser bastante persistente. Sei o que encontrou. Uma vida passada numa secretária, a traduzir código morse, para treino de futuros agentes. Morreu ontem na única pitada de acção que a sua vida acidentada teve, um acidente cardiovascular.

domingo, 28 de junho de 2009

telescópio

Os dias acabam e começam, começam e acabam, sem que ninguém nos pergunte se queremos que isto suceda.



O embrulho era perfeito. Tinha as medidas exactas. A forma e peso que imaginara para o novo carro xpto que todos os colegas iriam ter. Também teria! E excitação não cabia no se pequeno corpo. Não podia esconder mais a felicidade que sentia por saber que lhe ofereceriam o presente certo. Seria a cereja no topo de um bolo seco, sem recheio. Ao menos teria a cereja. Ao menos não se esqueceram do meu pedido.

Descalço – como na canção de natal – desce as escadas a uma velocidade supersónica, uma aterragem no limiar da segurança impede que ele caia, mande com a cabeça na esquina da porta e não só não veja o presente, como também não veria muito mais coisas o resto da vida. É o destino do miúdo ser desiludido mais uma vez. Abre o papel do embrulho, melhor, rasga, com toda a ferocidade que lhe é permitida em tão tenra idade. Um telescópio. Quer dizer, ele não sabia o que aquilo era. Mais tarde aprendeu a dar-lhe o nome, hoje era apenas a personificação de mais uma seta cravada no seu pequeno coração.

O calmo e perseverante pai não desistiu, não cedeu face à birra. Não gosto mais de ti. Deixa-me. Não falo mais para ti. Levou-o, arrastado (também é leve) ao à varanda do quarto do pequenote. Montou o telescópio. Disse-lhe para espreitar pelo sítio devido. Pediu ajuda para as últimas afinações do tripé. O garoto nunca fora tão feliz. O pai a pedir a sua ajuda. Importante. Teimoso e intimidado por tamanho aparato, espreita a medo. Não vê nada. Um pai também não sabe tudo, faltava tirar o plástico que protege a parte da frente da lente. Agora sim. Via as estrelas com que adormecia todos os dias muito maiores. E ele a pensar que elas eram do tamanho dos cereais. Afinal são muito maiores. Queria ver mais, aumentou a gradação – por instrução do pai – mas deixou de ver.

“Nunca te aproximes demasiado” - advertiu o pai.

sábado, 27 de junho de 2009

gargalhadas

Quem sou eu senão o que pensam de mim? Quem sou eu senão a memoria que sobrevive à minha morte? Podemos pensar ser ricos, bonitos, mas se outros não concordarem não é isso que somos. Somos a imagem que vêem de nós, e não o que pensamos que vêem.

O cheiro da música, é como o sabor das palavras, não se sente. Sentimos dor, ouvimos barulho e vemos o mundo. Por isso um surdo não ouve Beethoven, apesar de Beethoven ter sido surdo. O mesmo acontece a que não sabe, não percebe, não vê. Se nascemos todos com as mesmas capacidades não sei, sei que fazemos uso e fruto de maneiras muito diferentes daquilo que nos foi dado viver.


Joaquim é mestre-de-obras. Tem 39 anos. É casado, divorciado, e agora junto. Junto com mulher, a importância da necessidade deste esclarecimento está na visão que dá de uma sociedade virada do avesso, como pensa o Joaquim. Ele tem filhos, entregues a segurança social, por não ter rendimentos suficientes. Anda de scooter, não faz a barba, e tem a pele queimada do ofício. É feliz. Não se importa com o que s outros pensam, é simplesmente feliz.


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O Rogério é médico. Tem 39 anos. Andou na turma do Joaquim. O Joaquim tinha mais sucesso com as raparigas. O Rogério tinha óculos e aparelho. Ganha para si e para duas famílias. Não que as tenha. Não tem ninguém, é sozinho. Às vezes sente falta de ter com quem desabafar as angústias rotineiras da sua profissão. Fala para um boneco de peluche, oferecido pela única namorada. Investe na bolsa, é bem sucedido. Dorme pouco. Não passa sem um whisky, viciado? Não, isso é para pobres, ele é necessitado. É um miserável, invejado por todos os que com ele trabalham. Cobiçado por todas as enfermeiras, e alguns enfermeiros. É feliz? Não.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

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p.s. peço desculpa pelos erros ortográficos, é para verem o que me espera do exame de português!