sexta-feira, 1 de agosto de 2008

trabalho

O barulho ensurdecedor do seu normal funcionamento. A janela aberta. oportunidades para ver o mundo lá fora, para sentir o mundo lá fora. Mas vai demasiado penetrado na leitura para perceber o que se passa à sua volta.

O meu avô era igual ao meu pai, segundo ele mesmo, mas com a diferença de que teve a oportunidade de mudar depois de velho. O meu pai não teve essa hipótese. Morreu cedo, muito cedo. Fruto da vida que levava, que o meu avô levava, e que eu também levo. Levava, espero eu. O meu avô não educou o meu pai, educou-me a mim. E esse salto nas gerações teve reflexos - acredito eu - na minha vida e na dele. O meu avô foi o único patriarca da nossa família que não padeceu à profissão. Todos os outros sucumbiram, excepto eu, ainda.
A profissão da nosso família é tipo uma praga que nos segue para onde quer que vamos, é um vírus introduzido à nascença.
O velhote bem que tentou levar-me a fugir disso, tanto que eu queria fugir disso, mas apenas me tornei num executante evoluído e não inadaptado, como era o meu desejo.
Há uns tempos ganhei coragem e renunciei à minha profissão. Ganhara o suficiente para uma vida desafogada. E queria ter a certeza que teria tempo para viver essa vida. Muito desta decisão parte da introdução na minha vida do meu filho.
Hoje faço ao meu filho o que o meu avô me fez a mim. Educo-o. Será a melhor forma? Ninguém sabe, nunca ninguém soube.
A Ana é a mulher da minha vida.
Tenho andado com a impressão de não estarmos sozinhos nesta paisagem desolada. Mas nós nunca estamos sozinhos.
to be something

2 comentários:

Catarina disse...

Aquilo que posso dizer começa a escassear... Já sabes que eu gosto dos teus textos. :D Beijinhoooo

*

Verinha disse...

Ohhh nem com a minha ausencia durante tanto tempo tive direito a um textosinho a pedir o meu regresso=/
So' por causa disso nao vou dizer nada sobre o texto:P