sábado, 27 de dezembro de 2008

pain in the ass

Longe da vista ficam os dedos mindinhos dos pés e a tijoleira é usada nas paredes por ser mais fácil de limpar.

Forçado a entrar por nada que fosse, recusou o ímpeto mas entrou de seguida. Olhou, viu, observou tudo, gravou tudo na memória, pois seria a prova de que realmente teria acontecido. Ali estava ela, deitada de pé. Os pés estavam deitados, posição horizontal, quando o corpo se deita os pés ficam de pé – coisa engraçada, esta. Há muito se conheciam, tempo que não voltaria a trás para que ele o ela pudessem refazer uma acção mal conseguida. Tudo se resumia ao encontro de dois estranhos numa casa estranha em condições de filme de Hollywood. Outrora dividido entre duas flores. Não saberia qual levar, nunca. Uma daria com certeza resultados, mas eram vagos e ténues. Porque não experimentar outra que pudesse trazer de volta a viva paixão que nunca chegou a florir de dentro de um deles, pelo menos. Mas nesta última, com nada garantido, e tanto a perder, era preferível jogar no Euromilhões.
Com o estômago nas mãos e o coração nos pés, sentou-se ao seu lado, que por cortesia lhe fora oferecido. Bebeu devagar, gole de galinha, ao contrário do que era habitual. Não poderia fazer figura fraca. Quem sabe quando a voltaria a ver? Em que circunstâncias? Não tinha o que era necessário, definitivamente, um fraco. Só um fraco deixaria escapar oportunidades, sinais que só são deslindados, depois, quando relembrados. Ou então tudo isso não passou duma vaga tentativa de fazer durar a verde esperança num relvado amarelo de geada.
Nunca se sabe com agir em duas posições extremistas, o meio-termo, preferível, mas não acessível, é complicado de vislumbrar entre a panóplia de possibilidades deitadas fora por mim, por ele, por qualquer um em qualquer situação. Preferível, mas inacessível.
Falaram, riram, conversaram, como velhos amigos que, com ânsia, desvendam toda a sua vida em minutos escassos de conversa. Despediram-se, beijou-a na cara, virou costas e foi. Instantaneamente se arrependeu, queria voltar a tocar à campainha, virar as pernas, os pés deitados, mas estaria a ser um verdadeiro pain in the ass.
Como as borbulhas que nascem no canto da boca.

2 comentários:

Carla disse...

Olá!
Bem, eu disse que vinha comentar quando estivesse inspirada. Na verdade, não tou mas parecia mal acabar o ano e eu não deixar 1 misero comentário. lol
Escreves muito bem e os temas dos textos.....não sei onde é que vais buscar tanta inspiração.
Impacaaabeel!
LoOl

Ps: eu sei que não gostas dos meus comentários porque não digo nada de construtivo (aspectos negativos)...va..pronto..acho que tens 1 erro no texto lol

FAR disse...

obg, ja emendei o tuda. eu plagio os textos de um outro blog que ninguém conhece...

como disse aluguem, os outros que leiam e façam bochechas molhadas....