A nossa necessidade de comunicar faz-nos imaginar histórias com mais do que uma pessoa envolvida, duas talvez. E, por isso eram dois. Dois electrões, seguindo rotas definidas, não por eles, mas por um complexo jogo de atracções e repulsões que os guia num fluxo orientado. É este fluxo que me permite, todos os dias, acender uma lâmpada, iluminar a escuridão. Que fariam eles se soubessem daquilo porque são responsáveis?
Ficaram os dois, sozinhos, abandonados no meio do nada. O ambiente reflectia os seus estados de espírito. Contradizendo a vontade de estar ali, revoltavam-se por não terem tido a oportunidade da escolha. Queriam estar, mas angustiava em cada alma a falta de responsabilidade por uma atitude que não tinha sido deles. A problemática que nos consome a alma todos os dias, ela que nos faz hesitar entre o hambúrguer da direita ou o da esquerda, essa que eles não haviam tido, e choravam por ela. Pediam por ela, mesmo quando tudo foi feito de acordo com a vontade de ter os dois espíritos unidos num, de não haver uma sociedade que os influenciassem, que os virassem, um contra o outro, de costas. Porque eles queriam estar um contra o outro. Os seus braços apertando, mantendo a união volátil muito para além das suas forças. Queriam o corpo, desejavam-no. Um corpo, resultado da união de dois outros corpos que sozinhos nada tinham a ver com a situação.
Permaneceram, feitos dois estúpidos adolescentes, cheios de fome de ser adultos mas com a fartura da criança casmurra, que teima, faz birra, senta no chão.
Não foram capazes de fazer a única escolha possível. A única que iria de acordo com ambas vontades. Porque era uma escolha, e eles escolheram.
Escolheram ficar na ignorância um do outro. Não se conhecer. Manter o medo. Á medida que o tempo passa, a hipótese ignorada vai ficando cada vez mais aliciante. O arrependimento cresce de dentro para fora. Mas é de fora a sua origem. O arrependimento e a frustração caminham, juntas, lado a lado com a escolha.
E assim que escolhermos, não olhando para trás, ficará sempre o arrependimento. Frustração. Por fim, memórias.
domingo, 22 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
Sorrisos
O cimo da montanha é desejado por quem vive no sopé, mas é desprezado por quem, por cima, passa, cortando o vento com asas de metal.
Os problemas de que se padece são tudo o que ocupa a mente, tudo o que se vê, a água para o rio. A solução, a sua busca, são a miragem, a água no deserto.
Um sorriso faz, das palavras, quimeras para o coração. Não vivemos de forma a sorrir para as pessoas, mas vivemos a falar para elas. Todas as questões que nos impedem de sorrir uns para os outros são obstáculos a uma vivência em plenitude para o espírito. Os nossos problemas são grandes, enormes para a capacidade que pensamos ter. Maiores do que suportamos. A definição de uma deprimida existência pode revelar-se pela solução tardia de um problema.
Mas a solução é sempre a mesma. Para os meus problemas sou eu. Para os teus problemas és tu.
O espelho mostra-nos a verdade. Mostra quem somos, quem mostramos ser. Não mostra quem pensamos ou proclamamos ser. É duro. Inconveniente, mas não há fuga possível àquilo em que nos tornamos.
O caminho faz-se caminhando, com os olhos postos no caminho por caminhar e não no já caminhado.
Os problemas de que se padece são tudo o que ocupa a mente, tudo o que se vê, a água para o rio. A solução, a sua busca, são a miragem, a água no deserto.
Um sorriso faz, das palavras, quimeras para o coração. Não vivemos de forma a sorrir para as pessoas, mas vivemos a falar para elas. Todas as questões que nos impedem de sorrir uns para os outros são obstáculos a uma vivência em plenitude para o espírito. Os nossos problemas são grandes, enormes para a capacidade que pensamos ter. Maiores do que suportamos. A definição de uma deprimida existência pode revelar-se pela solução tardia de um problema.
Mas a solução é sempre a mesma. Para os meus problemas sou eu. Para os teus problemas és tu.
O espelho mostra-nos a verdade. Mostra quem somos, quem mostramos ser. Não mostra quem pensamos ou proclamamos ser. É duro. Inconveniente, mas não há fuga possível àquilo em que nos tornamos.
O caminho faz-se caminhando, com os olhos postos no caminho por caminhar e não no já caminhado.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Andar de Bicicleta
E, de repente, um vago sopro de vento impede uma folha, cortada e recortada, miserável na sua sorte, de ser atropelada.
A sorte não nasce, constrói-se, merece-se. A cada passo que damos na mais dura das calçadas fazemos pela sorte. A nossa sorte. A sorte que desejamos mas que tememos apenas lutar por alcança-la. Temo não ser capaz. Chegar longe, demasiado longe para voltar, e ficar, como um avião que iria aterrar em terreno hostil porque já não tem combustível para voltar. Mas ela vem, e vai, esperando, como uma mãe paciente que nos vê cair, que aprendamos, que lutemos.
Não saberíamos andar de bicicleta se não volta-se-mos a tentar outra e outra vez. E até vale a pena aquelas quedas, os embaraços em frente do pai e da mãe quando lhe queríamos mostrar que já éramos capazes. Toda a gente sabe andar de bicicleta, uns melhor, outros pior. Mas é um excelente exemplo porque não conheço ninguém que não saiba.
Quando caímos, poderíamos nós considerar um prenúncio de morte e deixar de tentar? Alguém saberia andar de bicicleta se o fizesse?
Perguntar não custa, custa a resposta. Não adianta termos vontade se não soubermos aquilo que realmente desejamos fazer. Manter-nos focados é um pouco difícil quando se começa a analisar aquilo que pode correr mal.
Não custa tentar, é verdade, custa é a frustração de não conseguir. Mas, algum dia, com um fino fio de fé, de “força de querer” - como diz o Eusébio (e eu acabo de citar um jogador de futebol, fantástico), cada um conseguirá construir a sua sorte.
A sorte não nasce, constrói-se, merece-se. A cada passo que damos na mais dura das calçadas fazemos pela sorte. A nossa sorte. A sorte que desejamos mas que tememos apenas lutar por alcança-la. Temo não ser capaz. Chegar longe, demasiado longe para voltar, e ficar, como um avião que iria aterrar em terreno hostil porque já não tem combustível para voltar. Mas ela vem, e vai, esperando, como uma mãe paciente que nos vê cair, que aprendamos, que lutemos.
Não saberíamos andar de bicicleta se não volta-se-mos a tentar outra e outra vez. E até vale a pena aquelas quedas, os embaraços em frente do pai e da mãe quando lhe queríamos mostrar que já éramos capazes. Toda a gente sabe andar de bicicleta, uns melhor, outros pior. Mas é um excelente exemplo porque não conheço ninguém que não saiba.
Quando caímos, poderíamos nós considerar um prenúncio de morte e deixar de tentar? Alguém saberia andar de bicicleta se o fizesse?
Perguntar não custa, custa a resposta. Não adianta termos vontade se não soubermos aquilo que realmente desejamos fazer. Manter-nos focados é um pouco difícil quando se começa a analisar aquilo que pode correr mal.
Não custa tentar, é verdade, custa é a frustração de não conseguir. Mas, algum dia, com um fino fio de fé, de “força de querer” - como diz o Eusébio (e eu acabo de citar um jogador de futebol, fantástico), cada um conseguirá construir a sua sorte.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Está correcto
É como por uma folha de jornal por cima de uma poça de um qualquer liquido que nos incomoda e saiu, por acidente, fora do recipiente.
Era uma vez, duas ou três, em que uma menina muito pouco pequenina, em soutien, com tatuagens espalhadas, encafuadas, nas mais invulgares, mas populares partes do corpo.
Essa rapariga, mulher, auto-proclamada, social, vivia no mundo da nova juventude. Tudo preocupa e nada desocupa o lugar de primeira classe a jogos de computador, e não chamava o pai por senhor, nem rezava ao senhor, nem respeitava o professor. Era o extremo externo de uma sociedade que possui a particularidade de viver e respeitar aqueles indolentes que procuram extremos cada vez mais afastados e abastados do meio-termo. Ó sabia contenção, porque não fazerdes menção a esta gente que só desta forma se ganhará forma num adulto corpo com barba no rosto?
Porque é que os rapazes já não querem as querelas por tocar nas mamas delas? Ao invés preferem vê-las na internet, através de um monitor. Continuamos a odiar quem amamos, mas ó doce companhia de brincadeiras, das más maneiras, apenas á mesa pois ainda crianças, depositam em nós um futuro de esperanças.
Como esporos abertos.
Era uma vez, duas ou três, em que uma menina muito pouco pequenina, em soutien, com tatuagens espalhadas, encafuadas, nas mais invulgares, mas populares partes do corpo.
Essa rapariga, mulher, auto-proclamada, social, vivia no mundo da nova juventude. Tudo preocupa e nada desocupa o lugar de primeira classe a jogos de computador, e não chamava o pai por senhor, nem rezava ao senhor, nem respeitava o professor. Era o extremo externo de uma sociedade que possui a particularidade de viver e respeitar aqueles indolentes que procuram extremos cada vez mais afastados e abastados do meio-termo. Ó sabia contenção, porque não fazerdes menção a esta gente que só desta forma se ganhará forma num adulto corpo com barba no rosto?
Porque é que os rapazes já não querem as querelas por tocar nas mamas delas? Ao invés preferem vê-las na internet, através de um monitor. Continuamos a odiar quem amamos, mas ó doce companhia de brincadeiras, das más maneiras, apenas á mesa pois ainda crianças, depositam em nós um futuro de esperanças.
Como esporos abertos.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Bolo
O bolo rainha é apenas bolo rei sem fruta cristalisada, como podemos pagar mai por uma coisa que só tem menos coisas que a outra?
Esperava-o uma solidão imensa, feita de nadas e ninguém. Não era o que desejava, mas era o que de melhor poderia ter. Sozinho, acompanhando a multidão de gente que segue com ele pelas ruas de uma qualquer cidade. A chuva cairá sempre, molhando tolos, aqueles que seguem a pé. Deambulando pelas montras apelativas, olha para todos os que se cruzam mas não vê e não conhece ninguém.
Mas agora permanece acompanhado de silêncio, no meio da gritaria dos seus pensamentos, junto da panóplia das suas personagens. Vive indeciso perante a escolha que o levará ao seu inalterável destino, sabendo que ambas o levarão, com mais ou menos curvas, ao fim de uma estrada qualquer. A do meio. A hipótese do meio. Afasta o silêncio que te acompanha e segue sozinho o teu caminho. Sobe sem balanço ou empurrão, chegarás depois de todos os outros ao fim do caminho. Durarás mais tempo no caminho.
Esperava-o uma solidão imensa, feita de nadas e ninguém. Não era o que desejava, mas era o que de melhor poderia ter. Sozinho, acompanhando a multidão de gente que segue com ele pelas ruas de uma qualquer cidade. A chuva cairá sempre, molhando tolos, aqueles que seguem a pé. Deambulando pelas montras apelativas, olha para todos os que se cruzam mas não vê e não conhece ninguém.
Mas agora permanece acompanhado de silêncio, no meio da gritaria dos seus pensamentos, junto da panóplia das suas personagens. Vive indeciso perante a escolha que o levará ao seu inalterável destino, sabendo que ambas o levarão, com mais ou menos curvas, ao fim de uma estrada qualquer. A do meio. A hipótese do meio. Afasta o silêncio que te acompanha e segue sozinho o teu caminho. Sobe sem balanço ou empurrão, chegarás depois de todos os outros ao fim do caminho. Durarás mais tempo no caminho.
sábado, 27 de dezembro de 2008
pain in the ass
Longe da vista ficam os dedos mindinhos dos pés e a tijoleira é usada nas paredes por ser mais fácil de limpar.
Forçado a entrar por nada que fosse, recusou o ímpeto mas entrou de seguida. Olhou, viu, observou tudo, gravou tudo na memória, pois seria a prova de que realmente teria acontecido. Ali estava ela, deitada de pé. Os pés estavam deitados, posição horizontal, quando o corpo se deita os pés ficam de pé – coisa engraçada, esta. Há muito se conheciam, tempo que não voltaria a trás para que ele o ela pudessem refazer uma acção mal conseguida. Tudo se resumia ao encontro de dois estranhos numa casa estranha em condições de filme de Hollywood. Outrora dividido entre duas flores. Não saberia qual levar, nunca. Uma daria com certeza resultados, mas eram vagos e ténues. Porque não experimentar outra que pudesse trazer de volta a viva paixão que nunca chegou a florir de dentro de um deles, pelo menos. Mas nesta última, com nada garantido, e tanto a perder, era preferível jogar no Euromilhões.
Com o estômago nas mãos e o coração nos pés, sentou-se ao seu lado, que por cortesia lhe fora oferecido. Bebeu devagar, gole de galinha, ao contrário do que era habitual. Não poderia fazer figura fraca. Quem sabe quando a voltaria a ver? Em que circunstâncias? Não tinha o que era necessário, definitivamente, um fraco. Só um fraco deixaria escapar oportunidades, sinais que só são deslindados, depois, quando relembrados. Ou então tudo isso não passou duma vaga tentativa de fazer durar a verde esperança num relvado amarelo de geada.
Nunca se sabe com agir em duas posições extremistas, o meio-termo, preferível, mas não acessível, é complicado de vislumbrar entre a panóplia de possibilidades deitadas fora por mim, por ele, por qualquer um em qualquer situação. Preferível, mas inacessível.
Falaram, riram, conversaram, como velhos amigos que, com ânsia, desvendam toda a sua vida em minutos escassos de conversa. Despediram-se, beijou-a na cara, virou costas e foi. Instantaneamente se arrependeu, queria voltar a tocar à campainha, virar as pernas, os pés deitados, mas estaria a ser um verdadeiro pain in the ass.
Como as borbulhas que nascem no canto da boca.
Forçado a entrar por nada que fosse, recusou o ímpeto mas entrou de seguida. Olhou, viu, observou tudo, gravou tudo na memória, pois seria a prova de que realmente teria acontecido. Ali estava ela, deitada de pé. Os pés estavam deitados, posição horizontal, quando o corpo se deita os pés ficam de pé – coisa engraçada, esta. Há muito se conheciam, tempo que não voltaria a trás para que ele o ela pudessem refazer uma acção mal conseguida. Tudo se resumia ao encontro de dois estranhos numa casa estranha em condições de filme de Hollywood. Outrora dividido entre duas flores. Não saberia qual levar, nunca. Uma daria com certeza resultados, mas eram vagos e ténues. Porque não experimentar outra que pudesse trazer de volta a viva paixão que nunca chegou a florir de dentro de um deles, pelo menos. Mas nesta última, com nada garantido, e tanto a perder, era preferível jogar no Euromilhões.
Com o estômago nas mãos e o coração nos pés, sentou-se ao seu lado, que por cortesia lhe fora oferecido. Bebeu devagar, gole de galinha, ao contrário do que era habitual. Não poderia fazer figura fraca. Quem sabe quando a voltaria a ver? Em que circunstâncias? Não tinha o que era necessário, definitivamente, um fraco. Só um fraco deixaria escapar oportunidades, sinais que só são deslindados, depois, quando relembrados. Ou então tudo isso não passou duma vaga tentativa de fazer durar a verde esperança num relvado amarelo de geada.
Nunca se sabe com agir em duas posições extremistas, o meio-termo, preferível, mas não acessível, é complicado de vislumbrar entre a panóplia de possibilidades deitadas fora por mim, por ele, por qualquer um em qualquer situação. Preferível, mas inacessível.
Falaram, riram, conversaram, como velhos amigos que, com ânsia, desvendam toda a sua vida em minutos escassos de conversa. Despediram-se, beijou-a na cara, virou costas e foi. Instantaneamente se arrependeu, queria voltar a tocar à campainha, virar as pernas, os pés deitados, mas estaria a ser um verdadeiro pain in the ass.
Como as borbulhas que nascem no canto da boca.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
capítulo III
Quem não se emociona com uma criança? Uma com olhos azuis, numa fotografia, de publicidade, de uma qualquer loja de roupa para crianças. E ver crianças a escolher a própria roupa – a vaidade, nas crianças é engraçada – assim como qualquer outro pecado mortal. Todos nos emocionamos, eu inclusive, mas ele não. Figura destoante dum cenário, figurino que passou no casting sem supervisão. Tudo isto para dizer que não estava a fazer nada, e como eu também não estava a nada fazer, e observava-o. Ele pegava e pousava roupa, esperava qualquer coisa.
Esperava aquele avô que, porventura, comprava uma prenda para um neto. Devia ser cego, ou sofrer de uma outra qualquer condicionante que lhe dificultava a visão. Intrigado com tal personagem que escolhia, também, a roupa, desliguei do outro autor, de forma a concentrar-me em pleno no avô.
Era cego, o pobre coitado, mas um cego cheio de massa, provavelmente era cliente habitual, as empregadas conheciam-no, usava uma bengala dourada. Pouco rico era.
O outro, frio, no frio, segui-o quando este saiu, e eu também, já agora porque não?
Lembro-me de ele vendar o cego avô. Esse, que se fosse realmente cego, se passaria a sentir normal, privado de um sentido que não tinha, com esse ponto favorável, uma pessoa que alguém pensava que era possuidora da arte de ver, mas que afinal só consegue o resto tudo muito mais.
Mas ele não era cego e como era óbvio. A um cego pouco importaria uma bengala dourada, dar-se bem com as melhores empregadas – e não falo das mais eficientes - não era cego. Até veria muito bem, melhor que eu.
Eu ia tão comovido com tal situação paradoxal, que não vi o sorriso cúmplice de quem quer ser levado, forçado apenas pelo papel que representa na trama. Não vi.
Esperava aquele avô que, porventura, comprava uma prenda para um neto. Devia ser cego, ou sofrer de uma outra qualquer condicionante que lhe dificultava a visão. Intrigado com tal personagem que escolhia, também, a roupa, desliguei do outro autor, de forma a concentrar-me em pleno no avô.
Era cego, o pobre coitado, mas um cego cheio de massa, provavelmente era cliente habitual, as empregadas conheciam-no, usava uma bengala dourada. Pouco rico era.
O outro, frio, no frio, segui-o quando este saiu, e eu também, já agora porque não?
Lembro-me de ele vendar o cego avô. Esse, que se fosse realmente cego, se passaria a sentir normal, privado de um sentido que não tinha, com esse ponto favorável, uma pessoa que alguém pensava que era possuidora da arte de ver, mas que afinal só consegue o resto tudo muito mais.
Mas ele não era cego e como era óbvio. A um cego pouco importaria uma bengala dourada, dar-se bem com as melhores empregadas – e não falo das mais eficientes - não era cego. Até veria muito bem, melhor que eu.
Eu ia tão comovido com tal situação paradoxal, que não vi o sorriso cúmplice de quem quer ser levado, forçado apenas pelo papel que representa na trama. Não vi.
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