segunda-feira, 7 de julho de 2008

estranho,tudo

O rio corria, nem velozmente, nem vagarosamente, simplesmente corria. As margens cheias de nada e de quase tudo deixavam-me a sensação de já lá ter estado. Não agora, porque era a primeira vez que lá ia, não assim.
As árvores, estáticas, balançavam com o vento. O chilrear dos passa ritos que por lá voavam ensurdecia a minha mente, dispersa no chilrear, concentrada no dejá .
As pedras, lavadas constantemente pelo rio sem terem a oportunidade de se sujarem, pareciam (pelo menos a mim pareciam) dorsos de baleias azuis, amarelas, cinzentas e verdes.
Tudo ali cheirava a campo, a terra, em que agora me sentara, a casca de pinheiro que arrancara e que desfazia na mão por simples distracção. Tudo. Todas as coisas de que me lembro cheiravam, e as que não me lembro deviam cheirar porque não cheirava a mais nada.
Lembro, ah! disso eu lembro-me. Lembro-me de me ter deitado com a cabeça virada para o rio, de forma a ver as árvores, as silvas e toda a vegetação que envolvia aquela margem.
O caminho por onde eu viera ficava na outra margem, eu não queria ver caminhos, não queria ver a intervenção do homem em mais um lugar sagradamente selvagem. Não. Eu queria era ver a multidão. Queria ver a solidão do homem que eu era, mas já não sou.
O lugar, conhecia-o das histórias do meu avô, que me descrevia cada espaço, cada ser, cada centímetro de terreno com uma precisão de topógrafo. Ele levou-me àquele lugar muito antes de eu lá ter estado.
Lembrei-me quando vi a marca no sobreiro que dominava a paisagem e no qual eu ainda não tinha reparado. Estava lá a marca que o meu avô dizia ter conquistado a minha avó. Um simples triângulo, com duas arestas arredondadas e enfiadas para dentro e a outra, pontiaguda, desviada do centro. O meu avô falara-me que aquele era o símbolo do amor. Aquele era o símbolo que se fazia às raparigas para dizer que se gostava delas.
Chamei o meu avião. Mandei-o para longe. Queria aproveitar toda a natureza do caminho para a levar comigo. Não queria esquecer aquele lugar, único, raro, agora.
O avião esperava-me, fielmente como outrora faziam os animais de raça canina.
Voltei para casa. Esta já me tinha preparado a refeição que lhe pedi durante o voo.
Ao adormecer, sob o efeito do gás por mim inventado, pensava no lugar, no meu avô, no sobreiro e no triângulo de pontas estranhas que lá encontrara. Tudo isso me marcara.
Como seria bom se eu fosse o meu avô.

4 comentários:

Veriinha disse...

Olhe esta' realmente bonito. Esta' diferente e eu gostei mesmo muito!
Mas faltou o cor de rosa, o menino continua,se a esquecer da beleza dos textos nao pode pensar so' no conteudo:D

BeijiinhO*
Julinho querido venha comentar.
Catarina fuiii a 1ª.. Ehehhe!

Anónimo disse...

a moça tem razao men
tens de meter mas cor nessa prosa, porque o texto ta porreiro e uma corzita melhorava e muito ... ok pensa no que a moça disse.

ptt far

guilherme disse...

é muito mas mesmo estranhu olha vem ver os videos a grande caca do meu blog ok?? depois diz-me alguma cena...

parabens pelo 19 a fisica quimica

Catarina disse...

=D Gostei mesmo deste texto

Mesmo mesmo caragooooo (=

Um beijinho'

*