quarta-feira, 16 de julho de 2008

rascunho

Os mosquitos, seres minúsculos, que a escuridão, própria da noite, oculta, são revelados pelas intrusas luzes que iluminam o que deve permanecer escuro.

A pergunta apanhou-me desprevenido. Não tanto pela inocência com que foi proferida, mas pela falta ou impossibilidade de resposta. Assim como não tinha pensado sequer que o acto obrigatório, como antes era o recensiamento, por lei em que se tornou a dádiva de esperma pudesse trazer tais reprecursões.

Quantos mais filho poderia eu ter? Quantos mais irmãos poderia ter o meu recente filho? Quantas das crianças que agora vejo a rua não serão fruto das minhas sementinhas?

Mas se todos descendermos do mesmo macho, qual será o espaço para a diversidade genética? Seremos, um dia, todos iguais? Tudo porque o cromossoma Y é demasiado fraco e não foi devidamente protegido?

O número de crianças não diminuiu, pelo contrario, até, há cada vez mais crianças. Nascem quase como coelhos por causa da inseminação. Mas isso quer dizer que o decrescente número de macho é cada vez pai de um maior número de crianças.

Como posso nutrir um sentimento tão grande de dever de protecção, de amar, de educar, não por um, mas por muitos filhos? Seria a mesma coisa se eu os conhecesse todos?

E há umas horas atrás lá estavamos, eu e o meu filho, a regressar da escola, quando ele me pergunta:
-Tenho irmãos?

2 comentários:

Catarina disse...

Acho que nem vale a pena comentar, pq me torno demasiadamente repetitiva. =) Já sabes que eu gosto dos teus textos!!

*

Verinha disse...

Gosto muito do ultimo paragrafo!:D

Beijiinho*