sexta-feira, 11 de julho de 2008

Iluminar

A distorção acontece. Passa-se aquela fase em que estamos perfeitamente racionais, mas fingimo-nos alterados para que possamos levar a nossa avante. Caímos redondos no chão. Divertimento.

O Outono havia passado há muito. É verdade que quanto mais velhos, mais devagar passa o tempo, mas para mim não era justificável aquela sensação de ter vivido uma vida num dia. Era o primeiro dia de Inverno. Toda a minha curta existência procurei emoções marcantes, procurei o sangue a regar-me o corpo todo de adrenalina, de medo, de euforia. Claro que experimentei drogas, mas o efeito foi escasso para o que pretendia. Sentia-me vazio desde que me lembro. Aliás, só ontem soube o que é não se sentir vazio, só ontem soube que me sentia vazio, só ontem.
Mais uma vez o plano falhou. Ainda bem. Eu, que outrora pensara em nunca mais fazer nada fora do delineado, ontem, arrependi-me. Ainda bem.
Todos teríamos um plano se soubéssemos todas as vertentes, todas as variáveis. Mas nem todos sabemos. Duvido que alguém saiba. Já antes não se sabia. Mas andava-se mais perto da verdade.

Ontem. Ultimo dia de outono. Há muito que não havia folhas para cair, nem árvores para as deixar cair.

Ontem conheci o meu primeiro rebento. O meu primeiro sucessor, o meu primeiro filho.
Não sei se filho é a palavra mais adequada. Não conheço a mãe, e conheci o filho em condições não usuais, mesmo para estes tempos.
Apesar da situação, o sentimento predominante era o de felicidade. Um ser humano que não conhecia, mas que era feito por metade dos meus genes. Poderia ter parado para tentar reparar nas habituais parecenças, mas não, não era eu que me conduzia e os médicos tinham pressa. A situação era demasiado urgente.
Aquela criança, cuja mãe, independente, fora buscar as minhas sementes a um banco de esperma, precisava urgentemente de um transplante. Claro que tudo poderia ter sido evitado se ela tivesse guardado as células estaminais.
Não queria pensar nesse cenário. A sensação de necessidade da minha pessoa era a melhor coisa que já tinha vivido. Claro que estava nervoso.
Fiquei mais nervoso quando recebi o e-mail a notificar-me para a operação, e a sua urgência. Desde aí que que vivo completo.
Irei conhecer o meu filho se tudo correr bem.
Claro. Adormeço. Vai começar.Escuro
to be continued

4 comentários:

Catarina disse...

=D Opá, olha eu acho que era uma boa ideia começares a juntar estes textinhos todinhos e escrever um livro, hm??

=Pp

Um beijinhooooo'

FAR disse...

primeiro escreverei uma historia, no momento que menos disposição tiver para isso, que é quando corre melhor...depois, aí reunirei todos os textos desta historia e farei um livro...

Verinhaa disse...

O melhor dos três textos ate agora apresentados:D

BeijiinhO*

Anónimo disse...

o far tive sem net, mas agr que li este texto, acho que estás num bom caminho para escreveres um livro, a história podia ser sempre a do gato maltes??? ha