domingo, 13 de julho de 2008

revés da moeda

O sono. Imbatível e invencível.Restaurador. Durmo.

-Porque é que tenho um pai?

Todos os dias levo o meu filho à escolinha. Não pela mão. Parece mal dizia-me ele, um dia destes. Mas vamos a pé.Quero que ele se recorde de mim. Quero que se recorde que era diferente e será diferente. Quero que se recorde.
Eu já não me recordo da minha infância. Ninguém lhe deu muita importância, assim sendo, eu também não dava. Não fixei o nome dos animais aos três anos (pelo menos não me lembro de os fixar), não me lembro se alguma vez caí e o meu pai me ajudou, não me recordo da minha primeira recordação desde que me lembro de ser gente. Mas ela aparece. Tipo flash. Tipo fotogramas que interrompem o filme da minha vida.
Eu e ele chegamos à escola todos os dias à mesma hora. Talvez por ser tão organizado e querer incutir isso na educação dele.
A primeira vez que o fui levar ele sentiu-se tão mal que chorou ao chegar a casa. A verdade é que não se via um único macho da espécie humana nos arredores da escola, a não ser, of course, os alunos da escola. Nem se via nenhum familiar de uma qualquer criança a levá-lo à escolinha. Os filhos chegam todos do mesmo sitio, e, ao fim do dia vão todos para o mesmo sitio. Nesse sitio não são os pais a irem buscá-los, são sim as amas. Por isso eu vou buscar, todos os dias, o meu filho a casa da mãe e levo-o à escola. No final do dia, vou buscá-lo à escola e levo-o a casa da mãe.
Logo o meu filho é diferente. Como é mau ser diferente na primária. Já no meu tempo era mau. Já no tempo do meu avô assim o era.
O normal é as mãe viverem sozinhas, chegam a casa já com o/a filho/a na cama. Dirige-se para lhe dar um beijo, mas repara que já é tarde fica, assim, para amanhã, para depois, para nunca mais.

O meu filho não sabe se gosta de ter um pai. confessou-o à ama. Ama que é bem jeitosinha e mantêm uma relação de proximidade comigo.

O meu filho gostava de ser como os outros filhos de outras mães. Mas eu não quero ser como outros pais que não sabem que o são, e que têm um papel cada vez mais insignificante em qualquer campo da sociedade.

Os homens são os novos escravos desta sociedade que não lhes deixou espaço algum na evolução que sofreu. Os homens que se deixaram levar pela aparente razão dos argumentos feministas que nada mais fazem do que realçar as fraquezas de quem os profere.

-Tom, tens um pai porque é necessário um pai e uma mãe para fazer um filho. É preciso duas pessoas para gerar o rebento que evoluirá como os desenhos animados que vês na televisão.-Até amanhã à mesma hora- digo eu com um sorriso.
-Xau pai, vê se te atrasas.
may be

2 comentários:

Catarina disse...

Asério, cada vez melhores... Caramba, tens mesmo jeito' ;)

Parabéns mesmo do fundo do fundinho do bem fundo do coração!! =]

Beijinhoooo*

Veriinha disse...

Ando a desleixar,me eu sei qe nao e' normal e peço desculpaa:D

BeijiiinhO*
Isto devia de dar para pôr os comentarios da cor qe a pessoa quisesse!